Autodefesa Psíquica – Joshua David Stone

AUTODEFESA PSÍQUICA
Capítulo 13
Este capítulo talvez seja um dos mais importantes
de todo este livro. Em vez de chamá-lo “Autodefesa psíquica”, também poderia tê-lo intitulado: “Como desenvolver um forte sistema imunológico físico, emocional, mental e espiritual”.
Talvez você pense no sistema imunológico apenas como uma parte do corpo físico. Não é assim, porém. É tão importante, se não mais, desenvolver também um sistema imunológico psicológico espiritual. A eficiência do seu sistema imunológico físico vai depender em larga medida, na verdade, da força de sua imunidade psicológica e espiritual.
A vida é uma batalha, independentemente de as pessoas espiritualizadas gostarem ou não de admiti-lo. Mesmo o grande Paramahansa Yogananda disse: “A vida é um campo de batalha.” No Bhagávad-Gita, Krishna roga a Arjuna que “se desfaça de sua covardia, erga-se e lute”. Você precisa aprender a ser um guerreiro espiritual na vida. A Course in Miracles enfatiza a importância de estar “atento a Deus e ao Seu reino”. A luta acontece em diversos planos. Primeiro, você luta para permanecer consciente e alerta, não caindo naquilo que chamo de piloto automático. Segundo, você luta para manter sua mente limpa de pensamentos negativos. Luta para evitar que o glamour, a ilusão, maya e o ego negativo dominem sua consciência. Luta para permanecer interiorizado, equilibrado. Luta para conservar o amor incondicional, a alegria, o equilíbrio da mente e a paz interior.
Às vezes você luta para se curar de uma doença física ou de uma perturbação nos planos emocional, mental e/ou espiritual. Às vezes você luta contra o cansaço. Luta para controlar a mente subconsciente e para dominar seus três veículos ou corpos inferiores. Luta para permanecer consciente de que é Deus.
Uma das piores coisas que você tem de combater, ao lado das energias internas que não provêm da alma, são as energias negativas de outras pessoas e do ambiente… (pg. 171)
Se você aprende a permanecer no seu poder, todas essas ferramentas se tornam desnecessárias, pois jamais irá precisar delas. Você só se torna vítima quando perde o seu poder. Raptos e implantes ocorrem em função de uma abertura na aura que permite essas coisas. Feche-a, então. Retome seu poder pessoal e também aquilo que Edgar Cayce chama de raiva positiva; então essas coisas deixarão de ser apenas possibilidade.
Uma das confusões de muitas pessoas espiritualizadas é pensar que devem permanecer abertas em todos os momentos. Nada pode estar mais longe da verdade. Tudo na vida deve ser equilibrado. Há o yin e o yang, o feminino e o masculino; há o momento de estar aberto e o momento de permanecer fechado. Você precisa aprender a abrir e a fechar o seu campo energético quando quiser.
Quando há por perto alguma energia negativa, é preciso ser capaz de fechar e proteger o espaço psicológico e espiritual. Você pode permanecer amoroso, ainda que se feche às energias negativas. Permanecer receptivo todo o tempo é querer tornar-se vítima das energias dos outros.
Os chakras são como as lentes de uma máquina fotográfica, que podem ser abertas e fechadas por um comando do operador. Se você decide que neste universo de Deus não existe meio de os extraterrestres negativos o raptarem, então certamente eles não o farão. Tranqüilize-se e saiba que você é Deus.
Com respeito a doenças físicas e emocionais, se você pensa que é vulnerável, provavelmente está certo. Se usa seus poderes criadores para programar os corpos físico e emocional para que não adoeçam, certamente não adoecerão.
(trecho extraído do Capítulo 13 – Autodefesa física – pág. 192).

Joshua David Stone, Psicologia da Alma, Editora Pensamento.

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Viver consciente da impermanência

Publicado originalmente em http://darma.info/trechos/2008/07/viver-consciente-da-impermanncia/

“A essência do Dharma é ter isso no coração: agora temos algum livre arbítrio, há escolhas que podemos fazer, temos algum controle sobre nossas vidas, algum tipo de poder de independência. Durante este período de vida em um corpo humano, quando temos tal liberdade, podemos usá-lo de maneira positiva.

Assim que esta vida acaba, quando a respiração cessa, este corpo é apenas uma pilha de matéria morta — um cadáver. No momento em que o corpo é abandonado por sua mente, ele é como uma ruína, uma casa abandonada, e jamais voltará à vida.

Quando corpo e mente se separam não há mais nenhuma liberdade, nenhuma escolha a fazer. Uma pessoa não tem nenhum poder de independência para controlar nada.

No lugar disso, a pessoa está sob o poder de seu karma, a infalível lei de causa e resultado. A pessoa está sob o poder de seu karma positivo e negativo.

Tulku Urgyen Rinpoche, em “Repeating the Words of Buddha“

Entrevista com Vovó Margarita -A morte não existe

Publicado originalmente em: http://templodecura.wordpress.com/2012/05/25/a-sabedoria/

VOVÓ MARGARITA – Uma Guardiã da Tradição Maia

Entrevista a Vovó Margarita: “A morte nao existe”… “Quando quero algo peço a mim mesma”

Entrevista a uma sábia guardiã da tradição maia, faço a tradução para o português.
Ima Sanchez. Publicado em ‘La Contra’, jornal La Vanguardia(Espanhol)

A Vovó Margarita, curandeira e guardiã da tradição maia, se criou com sua bisavó, que era curandeira e milagrera. Pratica e conhece os círculos de dança do sol, da terra, da lua e a busca de visão. Pertence ao conselho de idosos indígenas e se dedica a semear saúde e conhecimento em troca da alegria que isso produz, porque para sustentar-se segue cultivando a terra. Quando viaja de avião e as aeromoças lhe dão um novo copo de plástico, ela se aferra ao primeiro: ‘Não jovem, que isto irá parar a Mãe Terra’. Resume sabedoria e poder, é algo que se percebe com nitidez. Seus rituais, como gritar a terra o nome do recém nascido para que reconheça e proteja seu fruto, são explosões de energia que faz bem a quem presencia; e quando te olha aos olhos e te diz que somos sagrados, algo profundo se agita.

Ela nos diz: ‘Tenho 71 anos. Nascí no campo, no estado de Jalisco (México), e vivo na montanha. Sou viúva, tenho duas filhas e dois netos de minhas filhas, mas tenho milhes com os que pude aprender o amor sem apego. Nossa origem é a Mãe Terra e o Pai Sol. Vim a Feira da Terra(no dia da Terra) para recordar o que tem dentro de cada um.’

-Onde vamos depois desta vida?

-Ui minha filha, ao desfrute! A morte não existe. As morte simplesmente é deixar o corpo físico, se quer.

-Como que se quer…?

-Te pode levar. Minha bisavó era chichimeca, me criei com ela até os 14 anos, era uma mulher prodigiosa, uma curandeira, mágica, milagrosa. Aprendi muito dela.
-Já se vê em Você sabia, avó.

-O poder do cosmos, da terra e do grande espírito está aí para todos, basta tomar-lo. Os curandeiros valorizamos e queremos muito os quatro elementos (fogo, água, ar e terra), os chamamos avôs. A questão é que estava uma vez em Espanha cuidando de um fogo, e nos pusemos a conversar.

-Com quem?

-Com o fogo. ‘Eu estou em ti’, me disse. ‘Já sei’, respondi. ‘Quando decida morrer retornará ao espírito, por que não te levará o corpo?’, disse. ‘Como faço?’, perguntei.

-Interessante conversação.

-’Todo teu corpo está cheio de fogo e também de espírito – me disse -, ocupamos o cem por cem dentro de ti. O ar são tuas maneiras de pensar e ascendem se é ligeiro. De água temos mais de 80%, que são os sentimentos e se evaporaram. E terra somos menos de 20%, que te custa carregar com isso?’.

-E para que quer o corpo?

-Pois para desfrutar, porque mantém os cinco sentidos e já não sofres apegos. Agora mesmo estão aqui conosco os espíritos de meu marido e de minha filha.

-Olá.

-O morto mais recente de minha família é meu sogro, que se foi com mais de 90 anos. Três meses antes de morrer decidiu o dia. ‘Se eu me esqueço -nos disse-, me recordem’. Chegou o dia e lhe recordamos. Tomou um banho, colocou uma roupa nova e nos disse: ‘Agora me vou a descansar’. Se deitou na cama e morreu. Isso o mesmo posso contar de minha bisavó, de meus pais, de minhas tias…

-E você, avó, como quer morrer?

-Como meu mestre Martínez Paredes, um maia poderoso. Se foi a montanha: ‘Ao anoitecer venham por meu corpo’. Se ouviu cantar todo o dia e quando foram a buscar, a terra estava cheia de pisadas. Assim quero eu morrer, dançando e cantando. Sabe o que fez meu pai?

-Que fez?

-Uma semana antes de morrer se foi a recolher seus passos. Recolheu os lugares que amava e a gente que amava e se deu o luxo de despedir-se. A morte não é morte, é o medo que temos a mudança. Minha filha me está dizendo: ‘Fala de mim’, assim que vou a falar dela.

-Sua filha, também decidiu morrer?

-Sim. Tem muita juventude que não pode realizar-se, e ninguém quer viver sem sentido.
-Que merece a pena?

-Quando olha aos olhos e deixa entrar ao outro em ti e você entra no outro e te faz UM. Essa relação de amor é para sempre, aí não tem aborrecimento. Devemos entender que SOMOS SERES SAGRADOS, que a Terra É NOSSA MÃE E O SOL NOSSO PAI. Até há pouco tempo os huicholes não aceitavam escrituras de propriedade da terra. ‘Como vou a ser proprietário da Mãe Terra?’, diziam.

-Aqui a terra se explota, não se venera.

-A felicidade é tão simples!, consiste em respeitar o que somos, e somos terra, cosmos e grande espírito. E quando falamos da mãe terra, também falamos da mulher que deve OCUPAR SEU LUGAR DE EDUCADORA.

-Qual é a missão da mulher?

-Ensinar ao homem a amar. Quando aprendam, terão outra maneira de comportar-se com a mulher e com a mãe terra. Devemos ver nosso CORPO COMO SAGRADO e saber que o sexo é um ato sagrado, essa é a maneira de que seja agradável e nos encha de sentido. A vida chega através desse ato de amor. Se banaliza isso, o que ficará? Devolver o poder sagrado a sexualidade muda nossa atitude ante a vida. Quando a MENTE SE UNE AO CORAÇÃO TUDO É POSSÍVEL. Eu quero dizer algo a todo o mundo…

-…?

-Que podem usar o poder do GRANDE ESPÍRITO no momento que queiram. Quando entenda quem é, teus pensamentos se farão realidade. Eu, quando necessito algo, peço a mim mesma. E funciona.

-Tem muitos crentes que rogam a Deus, e Deus não o concede.

-Porque uma coisa é ser “pedinte” e outra, ordenar-te a ti mesmo, saber que é o que necessita. Muitos crentes se voltam dependentes, e o espírito é totalmente livre; isso se tem que assumir-lo. Nos ensinaram a adorar imagens em lugar de adorar-nos a nos mesmos e entre nos.

-Enquanto não te harte de ti mesmo.

-Devemos utilizar nossa sombra, ser más ligeiros, afinar as capacidades, entender. Então é fácil curar, ter telepatia e comunicar-se com os outros, as plantas, os animais. Se decide viver todas tuas capacidades para fazer o bem, a vida é deleite.

-Desde quando sabe?

-Momentos antes de morrer minha filha, ela me disse: ‘Mamãe, carga teu sagrado cachimbo, tem que compartir tua sabedoria e vai viajar muito. Não tema, eu te acompanharé’. Eu vi com muito assombro como ela se incorporava ao cosmos.
Experimenté que a morte não existe. O horizonte se ampliou e as percepções perderam os limites, por isso agora posso ver-la e escutar-la, crê possível?

-Sim.

-Meus antepassados nos deixaram aos avós a custodia do conhecimento: ‘Chegará o dia em que se voltará a compartir em círculos abertos’. Creio que esse tempo chegou.

Casamento

Publicado originalmente em http://br.chagdud.org/casamento/

S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche

Os votos de casamento não são apenas parte de uma cerimônia externa. São mais importantes, já que representam um compromisso interno, mental. Para entender como manter esse compromisso durante a vida, você precisa compreender o contexto maior desses votos.

Dentre os vários tipos de seres no universo, nós, como humanos, atingimos uma situação muito rara e afortunada, uma base ímpar para o trabalho de desenvolvimento espiritual. Contudo, se não reconhecermos a preciosidade de nossa vida humana, a desperdiçamos – como alguém que encontra uma pepita de ouro e, não reconhecendo seu valor, faz mau uso dela, talvez como um objeto que possa segurar sua porta. Agora somos como minério de ouro bruto, não reconhecemos nossa natureza verdadeira como ouro. Quando usamos bem essa oportunidade, podemos refinar o minério para revelar nossa pureza inerente, nossa natureza divina.

No casamento, cada um pode apoiar o caminho espiritual do outro e ajudar a assegurar que o potencial da vida humana não seja desperdiçado. Isto é muito importante já que a oportunidade que temos como humanos é muito breve. É natural desejarem permanecer juntos por um longo tempo, mas não podem saber quanto tempo suas vidas ou relacionamentos vão durar. Tudo é impermanente em nossas experiências. Este universo que habitamos não existia há muito tempo e, um dia, ele será mais uma vez reduzido ao nada. Houve um tempo em que nosso corpo físico não existia e um dia ele terá, mais uma vez, desaparecido. De todas pessoas que viveram nesta terra há cem anos atrás, quantas ainda estão aqui? E dessas, quantas estarão aqui dentro de cem anos? Se vocês entenderem a impermanência, perceberão a importância de usar bem o tempo que estão juntos.

Desde o início, precisam pensar claramente qual é a direção que seu casamento vai tomar. O mais importante não é tanto estarem juntos e sim como irão usar o tempo que estão juntos. Casamento significa o compromisso de agora em diante, pelo resto de suas vidas, viver em harmonia, com alegria, amor e afeição, e com a intenção de beneficiar um ao outro, o máximo possível. Isto significa tentar diariamente colocar a felicidade do seu parceiro à frente da sua. Tanto no nível mundano quanto espiritual, é a decisão de atender às necessidades e contribuir para o crescimento espiritual do outro. O amor genuíno e altruísta que vocês expressam um pelo outro irá criar virtude que trará felicidade nesta vida e plantará as sementes de felicidade futura.

Cada um de vocês escolheu o outro entre tantas flores deste jardim terrestre. Assim, é importante que você encare o casamento com um senso de altruísmo, de beneficiar um ao outro o máximo possível, na alegria e na tristeza, felicidade e infelicidade. Se o homem inicia o relacionamento pensando “Esta mulher é minha esposa agora, é dever dela me dar o que necessito, me fazer feliz”, ou se a mulher pensa “Este agora é meu marido, ele me deve felicidade, ele deve me satisfazer”, estas expectativas só criarão problemas. Ao invés de exigir isto do outro e esperar algo para si mesmo, comprometam-se um com o outro, assumam a responsabilidade pela felicidade do seu parceiro. Tenham em mente que o que fazem ou dizem afeta o outro. Aprendam como trazer felicidade ou paz de espírito, um ao outro.

Se ambos se preocuparem com a felicidade do outro nunca irão se separar. Seu elo não poderá ser rompido.
Se, por outro lado, vocês colocarem a responsabilidade pela sua felicidade em seu cônjuge, se sentir que ele ou ela lhe deve algo, somente verá as falhas do seu parceiro. Se sua motivação fundamental for a esperança de que o outro o fará feliz, então o seu casamento não será tão fácil, e sua felicidade não durará tanto. Aproximar-se do casamento com um ponto de vista egocentrado, estabelece automaticamente as circunstâncias que irão frustrar a possibilidade de um bem maior. Mas, se sua motivação for trazer felicidade à outra pessoa, ambos serão felizes tanto a curto quanto a longo prazo, e trarão felicidade àqueles a seu redor. Este é o significado do sucesso tanto num senso mundano quanto espiritual.
A felicidade que experimentamos na vida depende muito de nossa motivação. E a nossa motivação é tão importante no casamento quanto em qualquer outra área humana. Embora uma motivação altruísta não seja o mesmo que boditchita, que possui um âmbito maior – o benefício temporário e definitivo de todos os seres –, é um modo de praticar o altruísmo de modo muito direto, com a pessoa que está ali, a seu lado. E você pode usar o relacionamento com seu cônjuge como um modelo de relacionamento para com todo o mundo.
Para manterem seus compromissos, vocês precisam estar preparados para enfrentar obstáculos com coragem. Embora aspiremos ao divino, atritos podem ocorrer. Nenhum de nós é perfeito. Em nossos relacionamentos, é comum enfrentarmos emoções negativas, mesquinharias, pensamentos egoístas, e todos os tipos de estados físicos e mentais, alguns agradáveis, outros desagradáveis. Estas coisas irão testar seu compromisso – ele deve ser capaz de suportar o que quer que aconteça. O importante não é o que virá, mas como vão lidar com isso, como vão trabalhar para garantir que seu casamento dure por toda a vida.

Comprometam-se a ajudar um ao outro, a serem amigos um do outro, em qualquer circunstância. Quando surgirem dificuldades, não importa se grandes ou pequenas, não lhes dêem tanta importância. Lembrem-se que seu parceiro é um ser humano, não um deus. Focalizem nas suas boas qualidades e não se apeguem às dificuldades. Quando o problema surgir, lembrem-se que somos todos humanos e deixem-no de lado. Durante os tempos difíceis lembrem-se que sua união é para toda a vida, seu dever é fazer o melhor. Não há tempo para discussões. Além do mais, pensar que você está certo e o outro errado é um engano que perpetua o sofrimento. Em vez disso, sejam pacientes e lembrem-se que o único benefício na hora de sua morte será a virtude que criarem nesta vida. Se mantiverem esta perspectiva no dia-a-dia, as discussões serão resolvidas e vocês vão desenvolver a paciência, o amor, a compaixão e a aceitação, qualidades que irão melhorar seu relacionamento.
Sua motivação altruísta no casamento dá corpo à primeira das seis perfeições – a generosidade, prática que é um dos meios excelentes para se acumular mérito e aumentar as qualidades virtuosas. Através do amor e compromisso, agora e no futuro, enquanto mantiverem em seus corações o amor um pelo outro, enquanto falarem de seu amor um para o outro, quando trocarem anéis como sinais físicos de seu elo, estarão expressando a qualidade da generosidade. O seu compromisso, de agora em diante, de usar o seu corpo, fala e mente para fazer feliz um ao outro, é mais uma expressão dessa generosidade.

Vocês também trazem para o casamento a segunda perfeição: a disciplina moral. Isto significa viver juntos de acordo com princípios maiores, eliminando hábitos que não servem ao relacionamento, comportamentos mesquinhos, egoístas e desarmoniosos, e acentuando qualidades positivas e altruístas como bondade amorosa, que traz grande benefício. Seu caminho espiritual é um caminho de virtude, trazendo alegria e felicidade aos outros e evitando ações descuidadas que possam causar mal ou infelicidade. Como praticantes, vocês devem usar seus corpos, falas e mentes para protegerem a si e ao seu relacionamento de obstáculos potenciais ou negatividade, e tentar, habilmente, beneficiar um ao outro. Se seu foco forem as necessidades de seu parceiro, já terão encontrado um modo poderoso de evitar problemas.
Não há dúvidas que a vida a dois é um desafio. Não se prendam à idéia de como o casamento deve funcionar, ao invés, aprendam como não perturbar um ao outro, como atingir mais e mais alegria e harmonia. Quando surgirem coisas que não gostem, tentem trabalhar com a aversão em suas próprias mentes, no contexto de sua prática do Darma em vez de tentar mudar o modo de ser do seu parceiro.

Isto também é muito importante se decidirem ter filhos. Quando vocês se tratam mutuamente com respeito e amor, e tentam resolver pacificamente os problemas que surgem, seus filhos terão um modelo a seguir para desenvolverem com sucesso seus próprios relacionamentos.
A terceira perfeição, a paciência, é uma das qualidades mais importantes que podem trazer para o casamento. Façam a promessa de sempre manterem a harmonia e lembrem-se que independentemente das mudanças externas ou emocionais pelas quais seu parceiro está passando, ele, ou ela, não é um buda. Seu companheiro é um ser humano que lida com seus próprios problemas. Tente lidar com isso com compaixão e paciência, mantendo o foco no elo que os une e não nos problemas. Tentem não ficar aborrecidos com as dificuldades que invariavelmente surgem quando as pessoas vivem juntas. Ao menos, não se fixem nelas, tentem resolvê-las imediatamente.

Sua prática de paciência trará grandes benefícios a curto prazo, no contexto de seu casamento, e também a longo prazo. Quando praticam a virtude, especialmente uma virtude tão poderosa quanto a paciência, infalivelmente o resultado será uma grande felicidade futura, o que pode ser chamado de experiência de paraíso ou terra pura. Através da raiva, ferindo os sentimentos de seu parceiro, através de seu desejo egoísta, pensando não no que faria o seu companheiro feliz, mas sim em seus próprios desejos egoístas, e através da ignorância, não conseguindo discernir quais são os comportamentos verdadeiramente prejudiciais e quais os benéficos, vocês estarão criando sofrimento a curto e longo prazo. Pois paraíso e inferno não existem fora de vocês. São, sim, reflexos dos aspectos positivos e negativos de suas próprias mentes.

Manter o compromisso que fazem um ao outro como marido e mulher requer diligência, a quarta perfeição. É necessário um grande esforço para manter verdadeira a sua ligação, empenhar-se tanto no contexto mundano quanto no de sua prática espiritual para ajudar um ao outro a atingir seus objetivos e trazer benefícios para vocês e para os outros. Todos os tipos de companheirismo no caminho são cruciais ao nosso desenvolvimento enquanto praticantes espirituais, e as qualidades de nossos amigos podem nos influenciar muito. Por isso é importante que usem seu casamento como uma oportunidade de apoiar a prática do Darma de cada um, nunca permitindo que as ações do outro, suas palavras ou atitudes, se tornem obstáculos a seu caminho espiritual. Isto requer uma prática espiritual diligente, tentando não apenas uma ou duas vezes, mas ao longo de toda suas vidas juntos atingir essas metas espirituais.

Lembrar-se sempre de seu elo, mantendo-o em seus corações e nunca deixando que se parta, envolve a quinta perfeição, a estabilidade meditativa. Isto significa focalizar naquilo que trará felicidade duradoura para vocês e para outros. Não importa quão jovens e atraentes vocês sejam hoje quando fazem juntos os seus votos. A beleza física não vai durar para sempre. Não se focalizem nela. Lembrem-se que tudo neste mundo está sujeito à decadência. Tudo que é composto, que se junta, no fim, se separa. Mas enquanto estão juntos, vocês podem trazer alegria um ao outro, podem criar virtude e podem apoiar sua própria prática espiritual e a de seus parceiros. Embora esta vida possa ser curta, a ligação que vocês estabelecerem através do envolvimento positivo e através de sua prática espiritual continuará a beneficiar a ambos por várias vidas futuras.

Finalmente, vocês trazem para o casamento a sexta perfeição, a da sabedoria, do conhecimento transcendental. Independente das alegrias e tristezas das suas experiências, como indivíduos e como par, lembrem-se que esses eventos passageiros são como ecos, ilusões, que vêm e vão, que nada que vocês experimentam possui uma existência inerente. Toda a experiência de nossas vidas é como um sonho noturno cheio de alegria e pesar, felicidade e tristeza. E do mesmo modo que acordamos de manhã e vemos que nada realmente ocorreu, podemos olhar para nossas experiências passadas em nossas vidas e ver que foram ilusórias. Os muitos momentos de felicidade e tristeza já passaram agora.
Entender a natureza profunda de nossa experiência não significa desconsiderar nossas experiências felizes. Nós ainda sentimos alegria, mas ao mesmo tempo percebemos que ela não é real como pensávamos. Quando estamos infelizes, lembramos que nossa infelicidade também é passageira. Esta perspectiva ajuda a reduzir nosso apego a que as coisas ocorram de certo modo, assim como nossa aversão às dificuldades. Percebemos que não são as condições externas as responsáveis por nossa felicidade ou infelicidade, mas o modo como reagimos a essas experiências. Isto traz aceitação e equilíbrio às nossas vidas.

Tentem manter uma consciência ininterrupta da sua verdadeira natureza, que está além dos extremos da felicidade e tristeza, prazer e dor, esperança e medo. Embora pareçam ser pessoas comuns, se tiverem uma ligação interna com a essência de sua prática, se tiverem essa visão mesmo enquanto fazem seu trabalho diário, obterão algo muito poderoso e benéfico, não importa onde vocês vivam, o que vistam, como possam agir.
A perfeição da sabedoria, no seu senso mais profundo, é corporificada pela união do masculino e do feminino que é fundamental ao caminho espiritual de Budadarma. O aspecto manifesto de todos os fenômenos corresponde ao princípio masculino dos meios hábeis, e a verdadeira natureza desses fenômenos, vacuidade, ao aspecto feminino da sabedoria, ou conhecimento transcendental. Se examinarmos qualquer elemento de nossa experiência, encontramos que sua natureza própria é vacuidade, contudo, as coisas ainda assim aparecem. Forma e vacuidade, vacuidade e forma, existem em união uma com a outra. A compreensão da inseparabilidade da vacuidade dos fenômenos e sua aparência é a qualidade transcendental que deve ser cultivada e nutrida durante suas vidas juntos.

Na sociedade humana, o elo entre mulher e homem é a expressão dessa verdade mais profunda, o casamento é uma expressão dessa harmonia. Isto traz uma dimensão mais profunda ao casamento de dois indivíduos que estão envolvidos no caminho do Darma, porque eles possuem meios de incorporar em suas vidas esta união de masculino e feminino nos quais os ensinamentos acima se fundamentam.
Se vocês permanecerem fiéis à visão da sabedoria em seu casamento e sempre, em sua vida em comum, trabalharem para trazer um benefício maior para vocês e para os outros, a curto e longo prazo, seu relacionamento produzirá nada mais que felicidade nesta e em vidas futuras, e sua união corporificará a essência dos princípios do Darma sagrado.

QUE TODOS OS SERES POSSAM SE BENEFICIAR!

Este texto foi produzido a partir das transcrições de cinco cerimônias de casamento conduzidas por Chagdud Tulku Rinpoche entre 1988 e 1993.

O uso criativo da mente

Caso você precise usar a mente para um propósito específico, use-a em parceria com
o seu corpo interior. Só se conseguirmos estar conscientes sem que haja pensamentos é que
seremos capazes de usar a mente de forma criativa, e o caminho mais fácil para entrar nesse
estado é através do corpo. Sempre que for necessária uma resposta, uma solução ou uma
idéia criativa, pare de pensar por um momento e focalize a atenção em seu campo de
energia interior. Tome consciência da serenidade. Quando você voltar ao pensamento, ele
será novo e criativo. Em qualquer atividade mental, habitue-se a ir e vir, de tantos em
tantos minutos, entre o pensamento e uma espécie de escuta interior, uma serenidade
interior. Poderíamos dizer: não pense apenas com a cabeça, pense com todo o seu corpo.

Eckhart Tolle

Ilusão e tempo

“Nós vivemos em uma cultura totalmente hipnotizada pela ilusão de tempo, na qual o chamado presente é sentido como uma pequena linha entre o ‘todo poderoso’ passado causativo e o ‘absurdamente importante futuro’. Não temos presente. Nossa consciência está quase completamente preocupada com memórias e expectativas. Nós não percebemos que nunca houve, há, ou haverá qualquer tipo de experiência além da experiência do momento.
Portanto, nós estamos fora de contato com a realidade. Nós confundimos o mundo como ele é falado, descrito, e mensurado com o mundo do modo que ele na verdade é. Nós estamos doentes com uma fascinação pelo uso das ferramentas de nomes, números, símbolos, sinais, conceitos e ideias.”

Alan Watts

Pessoas que evitaríamos

A bondade amorosa (“metta”) precisa ser estendida a todos os seres e manifestações, ainda que a maioria de nossas dificuldades sejam as pessoas. É muito mais fácil amar pássaros, cachorros, gatos e árvores do que é amar pessoas. Árvores e animais não respondem de volta, mas pessoas sim, então aqui é onde o treinamento começa. …

Às vezes, as pessoas descobrem que não sentem nada ao praticar meditação metta. Isso não é nada que mereça preocupação; pensamentos direcionados com a frequência necessária eventualmente produzem os sentimentos. Todos os nossos contatos sensoriais produzem sentimentos. Pensamentos são o sexto sentido, e mesmo que estivéssemos apenas pensando metta, eventualmente o sentimento despertará. Isso é uma maneira de conseguirmos nos ajudar para ganhar essa qualidade do coração, mas certamente não é a única.

Em nossas atividades diárias, todos nós nos confrontamos com outras pessoas e, frequentemente, com aquelas que evitaríamos. Estes são os nossos desafios, lições e testes. Se considerarmos dessa maneira, não ficaremos tão irritados com essas experiências. …

Quando nos damos conta que esse tipo de confrontação é exatamente o que precisamos no momento para superar a resistência e negatividade, e substituímos essas emoções por metta, então nos sentiremos gratos pela oportunidade.

Ayya Khema, em “When the Iron Eagle Flies”.
Tricycle’s Daily Dharma, 29 de setembro, 2006.

Publicado originalmente em: http://darma.info/trechos/2006/12/pessoas-que-evitaramos/

Somos o que pensamos

Em uma frase bem conhecida, Buda disse: “o ódio jamais pode cessar com ódio. O ódio só pode cessar com amor. Esta é uma lei eterna”. Podemos começar a transcender o ciclo de aversão quando conseguimos parar de ver a nós mesmos, pessoalmente, como agentes da vingança. No final, todos os seres são os donos de seu próprio carma. Se alguém causou dano, irá sofrer. Se causamos dano, iremos sofrer. Como o Buda disse no Dhammapada: “somos o que pensamos”.

Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o mundo. Fale ou aja com uma mente impura e problemas te seguirão assim como a roda segue o boi que puxa a carroça. … Fale ou aja com uma mente pura e a felicidade vai te seguir como sua sombra, imperturbável. Felicidade e tristeza dependem de nossas ações.

Sharon Salzberg, em “Lovingkindness”.
Tricycle’s Daily Dharma, 22 de novembro, 2006.

Publicado originalmente em
http://darma.info/trechos/2006/12/somos-o-que-pensamos/