Um recado natural – Wagner Borges

Extraído originalmente do site: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=14448

(Em Nome da Natureza e das Águas)

Homem branco, para onde sua cobiça está levando-o?
Diante da força dos elementos da Natureza, você se vê impotente.
Os furacões e terremotos o assustam. E as enchentes lavam sua arrogência.
E você jamais aprende a lição. E só valoriza o que é temporário e ilusório.
Quando a tempestade vêm, você se encolhe de medo e reza desacorçoado.
Você pensa que é gigante, mas a toda hora a Natureza sacode o seu orgulho.
Diante da seca que o acossa, em algum momento você pediu perdão às águas?
Sim, perdão pela poluição e degradação que você vêm inflingindo há tempos…
Diante das inundações, você tem refletido sobre as suas sandices perpetradas?
Ah, homem branco, que pensa que é chefe, mas não passa de alguém sofrido.
Diante dos vazamentos de suas usinas atômicas, você pediu perdão aos mares?
E quando os maremotos invadiram suas cidades costeiras, você refletiu nisso?
Conseguiu observar as leis de causa e efeito em andamento?
O seu consumo desenfreado vêm destruindo o meio ambiente há tempos…
E você não se corrige e continua sua sanha famélica em detrimento à Natureza.
Homem branco, por que você é tão tacanho? Por que não escuta a voz da razão?
Você usa celulares modernos, mas não é capaz de falar com o seu próprio coração.
Você voa para o outro lado do mundo, mas não é capaz de voar acima do seu ego.
Você diz que os animais são irracionais, como se você mesmo fosse só paz.
Contudo, olhe suas guerras fratricidas e suas depressões, cada vez maiores.
Olhe a violência que campeia nas suas sociedades, e o medo propagado pelo ar…
Veja a miséria grassando em muitos rincões do mundo, e diga que é evoluído.
Ah, homem branco (muitas vezes, de alma escura), como explicar sua loucura?
Você destrói o equilíbrio das águas no mundo e depois culpa a Natureza?
Tome vergonha, enquanto é tempo. Peça perdão e recupere o meio ambiente.
Tome muito cuidado com suas usinas nucleares (não deixe nada vazar nas águas).
Pois, do contrário, as leis de causa e efeito farão os mares lamberem suas costas.
E, aí, você chorará sua loucura e suas preces serão engolfadas pelas marés…
A sabedoria nativa ensina: respeite à Natureza e peça perdão às águas.
Em lugar de produzir mais armas, despolua às águas e revitalize o mundo.
Saiba disso: os rios são as veias e o oceano é a pulsação do coração da vida
A Amazônia é o pulmão do mundo. Preserve-a. Respeite-a. Admire-a.
Homem branco, para onde sua loucura consumista está levando-o?
A resposta está nas águas e suas reações de rebote: seca ou inundação.
Pense nisso. Pare com a destruição. Viva em paz. E respeite a Natureza.
(Peça perdão às águas, pois as leis de causa e efeito estão em andamento…)

P.S.:
Transcrevi espiritualmente essas palavras a pedido de um mentor extrafísico* ligado às tradições nativas. Segundo ele, é hora de pedir perdão às águas e corrigir as loucuras humanas que vem prejudicando a Natureza. Pois, caso contrário, haverá o rebote cármico inexorável das águas… Então, fica aí o alerta consciencial dele, para todos nós.
Oxalá tudo melhore enquanto é tempo…

Paz e luz.

– Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 05 de março de 2015.

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Punições desnecessárias

Extraído do livro Sabedoria de Preto Velho – Robson Pinheiro

Punições desnecessárias

PAI JOÃO DE ARUANDA

Meus filhos têm mania de se punir mais do que se estivessem no cativeiro e fossem obrigados a sentir o chicote do feitor. A diferença está apenas na forma. Punem-se ao não se permitir viver com alegria, harmonia e paz. Utilizam o chicote da culpa, e aí se estabelece a dificuldade. Muita gente pode ser e ter muito mais do que aquilo que usufrui. Inventaram uma desculpa de humildade, que ninguém ainda possui, mas que muitos dizem ter. E, com a interpretação transtornada de alguns conceitos trazidos por Nosso Senhor Jesus Cristo, tem muita gente religiosa por aí, que se acha prisioneira de uma vida acanhada e miserável. A humildade não está na roupa que se veste ou na voz mansa, ensaiada por muitos filhos aí pela Terra. Com o pretexto de serem humildes e religiosos, muitos desvalorizam a própria mensagem que abraçaram, com reservas desnecessárias.

Na verdade, meu filho, toda vez que você pode ser ou ter alguma coisa que seja boa e honesta e não se permite vivenciar tal experiência, que lhe fará crescer e lhe dará maior qualidade naquilo que você é ou faz, é que você está se punindo. A autopunição não é nada mais do que o impedimento para crescer, brilhar e ser mais feliz. Quando você não se permite melhorar, tendo condições de fazê-lo, então está se punindo. E autopunição, meu filho, é o resultado de sentimento de culpa, que se encontra aí, latente, em seu interior.

As pessoas religiosas, em geral, têm algo mal-resolvido com o dinheiro. Mas o dinheiro em si não é a causa de seus males nem dos males do mundo. É que o ser errou tanto no passado, ou tenta se passar na atualidade por humilde e desprendido, que, de uma forma ou de outra, não valoriza as oportunidades que Deus concede para maiores realizações. Pare com isso já e invista em você. Invista no trabalho que você representa, filho, na sua satisfação interior e não perca de vista jamais o fato de que você é herdeiro de Deus, da vida e do universo.

Dê maior qualidade e beleza àquilo que você faz, permita que o universo ajude você a vencer e descubra-se um vencedor. Pare de se menosprezar: vista-se bem, viva bem, apresente-se melhor ainda e verá que, à medida que você investir em si mesmo, a vida dará respostas cada vez mais claras às suas necessidades e impulsionará seu espírito rumo às alturas da realização íntima. Seja feliz e não se puna com uma vida acanhada.

Estamos no século XXI, e não há mais lugar no mundo para gente tímida diante da vida. A vitória, sob todos os aspectos, é daqueles que ousam, que enfrentam desafios e que se permitem ser felizes. Tenha a coragem de investir em você mesmo

A transformação é sempre coletiva – Lama Padma Samten

Extraído de http://www.cebb.org.br/a-transformacao-e-sempre-coletiva/

 A transformação é sempre coletiva
A transformação é sempre coletiva
Transcrição de três minutos de ensinamentos do Lama Padma Samten durante o retiro de 7 dias em Araras – Petrópolis, Rio de Janeiro, no início de julho de 2013.

“Pensamos que são mundos e condições externas, mas não são mundos externos: é a forma como nossa mente está operando. Então não pense que a gente tenha a possibilidade de avançar sem que o mundo avance junto.

Nos textos budistas, como o Sutra do Diamante, o Buda diz que a iluminação se dá com todos os seres juntos. Quando há a iluminação, todos os seres se iluminam. O bodisatva, quando atinge a compreensão, vê todos os seres manifestando a natureza iluminada também. A gente pode pensar: “Bah, isso não vai dar! Todo mundo junto tem de atingir a iluminação… Isso não vai acontecer nunca!” É porque temos essa visão externa… Mas o mundo já se iluminou muitas vezes. Cada vez que alguém se ilumina o mundo inteiro se ilumina.

Com isso estou trazendo especialmente a importância de praticar metabavana: olhar para os outros seres, aspirar liberação do sofrimento, que eles sejam felizes, aspirar estabelecer relações positivas, não pensar que nossa prática é isolada. É completamente inseparável. Não há possibilidade de nós avançarmos em meio a seres odiosos, doentes, perturbados… Não há essa possibilidade. Se estamos olhando assim, é porque nós não estamos avançando.

Essencialmente isso é sabedoria do espelho — ou seja, o mundo, como ele aparece, espelha as dimensões pelas quais estamos operando. Se queremos saber como é que estamos por dentro, a gente olha como é que está o mundo fora.”

Crises

Extraído do livro Sabedoria de Preto Velho – Robson Pinheiro

Crises

PAI JoÃo DE ARUANDA

Meu filho está confuso?

É preciso coragem para modificar, para decidir e ousar. A vida, meu filho, só permite a vitória daqueles que ousam. que decidem, que realizam. Quando a crise visita os meus filhos, é que já é hora de modificar alguma coisa. A crise é sentimental? É preciso modificar a visão a respeito de si e do outro e promover as mudanças. O amor só sobrevive se for alimentado, adubado e regado com carinho, doçura, pequenos gestos; enfim, uma série de coisas aparentemente pequenas, muito importantes para manter a vida sentimental. A crise é econômica? Que tal modificar a forma de gerenciar sua vida, seus negócios e suas próprias aspirações?

A crise, quando se apresenta na área social, é um convite à reavaliação de suas posturas, de sua forma de ver a vida e de seu envolvimento com o mundo e a sociedade. É preciso que as pessoas se sintam apaixonadas. Sem envolvimento. sem apaixonar-se por uma idéia, uma pessoa ou um ideal, a vida parece perder o sabor.

Qualquer crise, meu filho, é uma forma mais direta que a vida encontra de nos dizer que temos de modificar algo ou nós mesmos. Isso não é fácil, eu sei! Mas é possível realizar, os desafios existem para estimular a gente a crescer e encontrar uma saída mais simples, ou para nos empurrar rumo a uma solução que está muitas vezes ao nosso lado o tempo todo. É que a gente se acostuma fácil com a boa-vida e se acomoda.

Deus ajuda a quem cedo madruga” — esse aforismo popular é um reflexo da mais pura realidade. É preciso começar cedo a se organizar e procurar soluções. Quando falo em organização, meus filhos acham que é algo difícil de realizar. Mas afirmo que as coisas só são difíceis enquanto você achar que é difícil.

Quando os meus filhos decidirem que é preciso, que é possível, e assim aliarem sua vontade de realização ao conhecimento de sua necessidade, aí será fácil. Reclamar, chorar e adiar decisões não resolve problema algum.

Aliás, meu filho, tem algumas coisinhas que você poderá fazer em benefício próprio. Não adie aquilo que você tem de fazer. Adiar é uma forma de sabotar a si próprio.

Não procure culpados ou culpas, vá atrás de soluções e assuma sua responsabilidade. Aprenda a se organizar e agir.

Meus filhos estão acostumados a reagir e, então, não conquistam a vitória. Choram e lamentam, mas ainda isso é uma reação.

Seja uma pessoa ativa. Em vez de reagir, aja. Uma ação é muito mais inteligente do que uma reação.

É preciso ter coragem para mudar. As crises são o grito da vida nos chamando à modificação.

 

Medo da morte e morte da consciência

Extraído do livro Sabedoria de Preto Velho – Robson Pinheiro

Medo da morte

PAI JOÃO DE ARUANDA

Meus filhos têm muito medo da morte.

Alguns que se dizem mais sábios têm falado que a morte não existe. Mas ela existe sim. A morte que vocês temem não é aquela que existe, pois o que se teme é a passagem para o lado de cá da vida, a forma como a morte pode acontecer, mas dessa morte não há que se ter medo, não. Ela é só uma passagem, uma travessia, como se fosse uma ponte ligando dois lados de uma mesma vida.

Afinal de contas vocês ensaiam todos os dias para a morte. Deitam, dormem e acordam sem se darem conta de que esse é um ensaio da vida para a grande viagem da morte.

A própria natureza ensaia constantemente para mostrar ao homem a realidade da vida. O sol nasce e se põe, renasce no outro dia, mostrando a lição da morte e da vida. Desde as plantas aos animais, morrendo cada dia, tudo demonstra que sempre há um recomeço, uma continuidade e que o que vocês chamam de morte é apenas uma passagem para a verdadeira vida.

Mas a morte que vocês devem evitar é de Outro tipo: a morte da consciência. Quando o homem deixa morrer a sua consciência, deixa de amar e passa para o ódio, a vingança, a paixão desenfreada, ou qualquer outra degradação da alma, aí sim, ele está morto. É um cadáver que sai pelo mundo perambulando, um “sem-vida”, que passa pelo mundo mas não vive, porque não ama. Dessa morte é que vocês têm de fugir, essa morte é que meus filhos têm que evitar.

O contrário, a outra morte que é aparente, é pura ressurreição Morrer, todo mundo morre um dia, mas desencarnar é deixar os apegos da matéria e tudo o que isso representa. Aí é que pai-velho diz que desencarnar é para poucos. Porque poucos são os que sabem desapegar-se e exercitar a espiritualidade dentro de si. Então, por que ter medo de morrer? Para quem tem a consciência tranqüila, morte é vida, recomeço que representa novas oportunidades de realização.

Prosperidade e apego

Extraído do Livro Sabedoria de Preto Velho – Robson Pinheiro.

Posses

PAI JOÃO DE ARUANDA

Se o desespero ameaça tomar conta de você, que tal resolver de vez essa sua dificuldade?

Esse tipo de sentimento infeliz é o resultado da sua falta de fé. Não daquela fé de que muitos falam por aí. É fé em um ideal, fé no futuro. Falta a você a coragem de lutar e a decisão de prosseguir apesar de todas as dificuldades.

Os meus filhos se desesperam com muita facilidade. É hora de aprenderem um pouco com a vida.

Diante do sofrimento pela possibilidade da partida de um afeto, o desespero se instala, é hora de trabalhar o desapego. Nos nao somos donos de nin guém. Nenhum ser humano é propriedade de outro. Acorde, sorria meu filho. O tempo da escravidão já passou. Por que se manter algemado a pessoas, objetos ou instituições humanas? Às vezes vocês se desesperam porque julgam faltar recursos materiais. Isso é absurdo, meus filhos.

Está na hora de entender que a verdadeira posse é fruto do trabalho. Se faltar alguma coisa é porque você não trabalhou o suficiente, não perseverou em sua proposta ou, então, quando teve a oportunidade do ter, não soube economizar, reservar ou multiplicar.

A vida nos ensina que aquilo que julgamos possuir, nós temos que dividir entre os mais necessitados, somando esforços para multiplicar os resultados, diminuindo as pretensões, para exercitar o desapego.

Ora, meu filho, o desespero é o resultado de uma visão errada da vida.

Pare e pense. Erga a cabeça, que ela não foi feita apenas para ficar cheia de miolos, não. Pense, organize os seus pensamentos. Reorganize a sua vida e continue andando. Mesmo devagarzinho, ande. Não se permita ficar parado.

Deus abençoa, mas é preciso ter coragem para a maior experiência do mundo que é viver.

Sempre há uma solução. Não existe dor, sofrimento ou mal que não tragam o seu ensinamento, não há problema que não tenha a resposta certa da vida.

De cabeça para baixo – Monja Coen

Extraído de http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/1596-de-cabeca-para-baixo

Texto da Monja Coen publicado no jornal O Globo de 24/07/2014

Quando o mundo está ao contrário, é hora de buscar a sabedoria que cura, a compaixão que acalenta e a alegria do compartilhar

Ninguém gosta de ficar pendurado de cabeça para baixo. É o símbolo do sofrimento, da dor, do desconforto. Você está de cabeça para baixo?

Esses dias me telefonou um grande amigo de muitos anos.

— Você está bem? — perguntei, e ele me respondeu:

— Não! Estou de cabeça para baixo.

Conversamos.

Como levantar a cabeça? Como evitar que as dificuldades, as doenças, as perdas nos revirem de cabeça para baixo?

No Japão medieval houve um samurai famoso chamado Musashi Sensei. Era capaz de lutar com duas espadas simultaneamente e ninguém jamais o venceu.

Quando jovem, o samurai era muito briguento e violento. Foi aprisionado e seria julgado — provavelmente com a pena de morte —, quando o monge Takuan, que o conhecia desde a infância, convenceu os policiais a prenderem Musashi numa árvore, de cabeça para baixo.

Ele ficou muito bravo. O monge Takuan sentou-se aos pés da árvore e o provocava com perguntas tolas.

Musashi, enfurecido, o insultava, cuspia, gritava palavrões.

O monge, sorrindo, disse:

— Essa sua raiva pessoal não serve para nada. Se você tivesse uma reflexão correta, além de si mesmo, poderia se libertar.

Musashi queria se libertar. Comprometeu-se (palavra de Samurai é palavra) e o monge o libertou com o compromisso de que ficaria três anos trancado em um aposento, estudando estratégias de lutas e estudando a si mesmo.

Depois de passado esse período, o jovem estava transformado. Já não se encontrava mais de cabeça para baixo.

Percebia que cada adversário — ou cada adversidade — era apenas um aspecto de si mesmo.

Passou a respeitar seus oponentes, passou a respeitar a si mesmo.

Quando respeitamos a realidade, assim como é, colocamos nossos pés no chão sagrado, no caminho iluminado.

Nesse caminho as dificuldades são portais. Falta-nos um dos sentidos? Os outros são capazes de compensar.

Não controlamos a vida — somos a vida.

Não controlamos a velhice, a doença nem a morte.

Passamos.

Nada permanece o mesmo.

De cabeça para baixo, vejo o mundo de pernas para o ar.

Quando a cabeça está em seu lugar o mundo faz sentido.

Nossa atuação se clarifica e encontramos a plenitude, a alegria de viver e a alegria de morrer.

Neste momento, você se encontra de cabeça para baixo?

O mundo está de cabeça para baixo?

Vamos ajudá-lo a revirar em si mesmo e encontrar a sabedoria que cura, a compaixão que acalenta e a alegria do compartilhar?

Experimente colocar em prática tudo o que você tem lido, ouvido, ou estudado — quer nas grandes obras religiosas, quer nas literárias ou nos “faces”.

Experiência, prática na vida diária, é o único e verdadeiro Caminho.

Mãos em prece.

Reflexão final de ano – Monja Coen

Extraído de http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/1643-dezembro
Texto da Monja Coen publicado no jornal O Globo de 11/12/2014

É preciso usar a energia deste mês para cuidar e exigir cuidado, com ternura. Só assim as festas serão, de fato, boas

Há um clima de festa e de animação.

Há um clima de fim de ano.

Há um clima de estresse e confusão.

O último mês do ano parece mexer com todos nós. Muita gente nas ruas, trânsito pesado, compras, 13º salário, helicópteros sobrevoam as grandes cidades.

Há nevascas no Hemisfério Norte, há enxurradas, enchentes e secas no Hemisfério Sul.

Parece que toda a Terra estremece.

Entretanto, isso acontece apenas na camada mais superficial. Estaria a pele separada da carne, dos ossos e da medula? Intersendo.

Esta camada onde nós, seres humanos, habitamos é a Terra. A Terra imensa, profunda, intensa, viva, respondendo a tudo que nela se passa, inclusive esta camada resfriada onde compartilhamos a vida com outras formas de vida.

Será possível viver sem água, sem sal?

Viver sem vegetais, minerais, animais?

Viver sem ar, sem solo fértil, sem insetos polinizadores?

Somos a vida da Terra.

Cada um, cada uma de nós é não apenas a vida da Terra, mas a vida do cosmos. Se não houver harmonia cósmica, não existimos.

A isso Buda chamava Natureza-Buda.

Natureza Buda é Natureza Iluminada, onde tudo está incluído e nada falta. Nada falta. É assim como é. E está em movimento constante como cada um, cada uma de nós, cada próton, elétron, nêutron. Dança incessante.

O que fazemos, falamos, pensamos é resultado de nossa genética (nossas heranças cromossômicas — seria isso o que os antigos chamavam de vidas anteriores?) e das experiências que passamos durante todo o processo de nossa formação como seres humanos. Desde a maneira como fomos concebidos/as, como estivemos (amados/as ou não) no útero materno, quais as experiências da infância e assim por diante.

Dizem os neurocientistas que 95% da maneira como respondemos à realidade são pré-determinados. Mas há 5% maravilhosamente surpreendentes e indeterminados. Cinco por cento de livre escolha, de surpreendentes respostas (e não reações).

Podemos facilitar mudanças extraordinárias com esses cinco por cento.

Podemos escolher o nobre silêncio à falação insensata. Podemos escolher o contentamento invés do resmungo, da reclamação constante. Podemos meditar e orar invés de nos armarmos e guerrearmos.

Fim de ano é época de reflexão.

Como podemos nos tornar instrumentos de construção de uma Cultura de Paz? Como podemos nos tornar um átomo de paz na Terra?

Observe seus pensamentos, seus pontos de vista, sua interpretação dos acontecimentos nacionais e internacionais. Você é capaz de perceber as intenções até mesmo na escolha das matérias que a mídia (nacional e internacional) seleciona para a humanidade?

Você é capaz de cultivar sentimentos de ternura e respeito a todas as formas de vida, a todas as opções espirituais, a todas as formas de fé e de ateísmo?

Estamos todos e todas interligados, e nossos pensamentos geram pensamentos — individuais e coletivos. Vamos usar a energia deste mês de dezembro para rever valores e atores. Cuidar e exigir cuidado, com ternura, com afeto, com brandura.

A transformação é incessante. Podemos apenas direcioná-la. Que tal direcionar para o bem de todos os seres?

Só assim as festas poderão ser boas.